A Polícia Civil do Espírito Santo (PCES), por meio da Divisão Especializada de Atendimento à Mulher (DIV-Deam), com o apoio da Superintendência Interestadual de Captura (Supic), deflagrou uma nova etapa da "Operação Mulher Segura". O balanço final da ação confirmou a prisão de cinco homens e a apreensão de três armas de fogo e farta munição na Grande Vitória. O objetivo central da ação foi tirar de circulação agressores reincidentes e desarmar indivíduos que utilizavam armas de fogo para subjugar as vítimas.
Os detalhes da operação foram divulgados durante coletiva de imprensa realizada na última sexta-feira (15), na Chefatura da Polícia Civil, em Vitória.
O delegado-geral da PCES, Jordano Bruno, enfatizou a necessidade de denunciar os primeiros comportamentos abusivos para evitar o pior. “Qualquer sinal de violência, a mulher precisa comunicar. Começa com atos sutis, pequenas agressões, e isso vai escalando até se transformar em violência contra a vida da mulher. É fundamental procurar uma delegacia especializada logo nos primeiros sinais”, disse.
Em seguida, a delegada-chefe da DIV-Deam, Cláudia Matheus, detalhou como o machismo estrutural se reflete nos crimes e como a cobertura jornalística ajuda no acolhimento institucional. Segundo a delegada, “infelizmente, ainda hoje, diariamente, mulheres são vítimas da violência doméstica familiar, fruto de uma sociedade extremamente machista, de cultura patriarcal, na qual homens até hoje acham que a mulher é posse, é propriedade e praticam esses diversos tipos de atos”.
Ela complementou explicando a progressão da violência e o impacto das notícias na conscientização das vítimas: “Em geral, a violência não começa física. Ela começa com humilhações, xingamentos, controle excessivo, ameaças e perseguições. Depois, escala para violência patrimonial, sexual e física, podendo chegar ao feminicídio. Muitas vítimas chegam às delegacias dizendo que entenderam que estavam sofrendo violência após assistirem reportagens sobre esses casos. A medida protetiva não é apenas um papel. Quando ela é descumprida, a consequência pode ser a prisão em flagrante ou a prisão preventiva. Os autores precisam entender que haverá responsabilização.”
O caso registrado na capital envolveu um empresário de 55 anos que monitorava a ex-esposa de forma obsessiva, mesmo após quase uma década do término. A adjunta da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) de Vitória, delegada Paula Barreto Araújo, explicou a gravidade da perseguição e o resultado da busca domiciliar. “Foi um caso em que uma vítima procurou a Polícia Civil, relatando sua perseguição (...), estavam separados há oito anos, ou seja, mesmo após oito anos, ele insistiu em perseguições através de ligações reiteradas, mensagens, muitas vezes ofensivas, controle de horário de trabalho dela (...), tentando controlá-la por meio do iPad do filho”, afirmou.
A delegada descreveu o arsenal localizado na residência do suspeito. “Nossa equipe logrou êxito em apreender duas pistolas, uma calibre 9 milímetros, outra .45, com 620 munições apreendidas, todas intactas. Essas armas já foram, inclusive, enviadas para o Setor de Perícia. Então, é mais uma segurança que a gente sente nesse momento, com essas armas recolhidas, é mais um fator de segurança. A questão é que, como ele se portava com essa agressividade, mesmo após 8 anos, esse tipo de perseguição foi contínua até o ponto que ela não aguentou mais, procurou a polícia, pediu ajuda, e o juiz determinou a apreensão dessas armas”, afirmou a adjunta.
No município de Guarapari, as ações focaram na reincidência criminal e no uso de ameaças virtuais com exibição de armas. A titular da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) de Guarapari, delegada Francini Moreschi, relatou o histórico dos dois alvos presos na cidade: “Nós cumprimos dois mandados de prisão por descumprimento de medida protetiva. Um caso bem emblemático, em razão do homem já ter sido preso em flagrante, no mês de fevereiro. Quando ele foi preso, ele foi preso por ter agredido a sua ex-companheira com coronhadas de armas de fogo, ameaçou a vítima e desacatou os policiais, desobedeceu a ordem de prisão e danificou a viatura da polícia militar”.
Sobre o segundo mandado, a delegada Francini contextualizou a intimidação sofrida pela outra vítima: “O segundo caso é de uma mulher que já tinha medida protetiva desde setembro (...). Ela estava vivendo a vida dela quando recebeu uma mensagem por WhatsApp dele dizendo que estava voltando do estado do Rio de Janeiro e visualizando a casa da vítima (...) e dizendo para ela que se ela estivesse convivendo com outro homem ele iria matá-la, e ele encaminhou mensagens com fotografias de armas de fogo. Em razão desse descumprimento, foi representada também pela prisão desse agressor”. Ela informou ainda que mandados de busca foram cumpridos nos bairros Bela Vista e São Gabriel, mas nenhuma arma foi localizada nesses endereços.
A delegacia de Cariacica atuou em duas frentes: o resgate de uma jovem em cárcere privado e a apreensão de uma arma utilizada em ameaça de morte. A adjunta da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) de Cariacica, delegada Sabrina Schons, narrou inicialmente a operação de resgate da vítima de 18 anos: “Chegou até o nosso conhecimento de que uma vítima teria sido mantida em cárcere privado. A mãe dela procurou a delegacia e solicitou ajuda. Quem estaria mantendo-a em cárcere privado seria o namorado da vítima (...). A equipe foi até o local e lá a gente encontrou a vítima e o suspeito, sendo que a vítima confirmou que estava em cárcere privado, que não podia sair de casa, ela estava trancada dentro de casa. Ela também falou que sofria ameaças e agressões físicas por parte do suspeito e inclusive ela relatou que ele teria colocado o corpo dela abaixo da janela do segundo andar da casa e teria ameaçado atirá-la de lá”.
A delegada Sabrina explicou ainda como a jovem conseguiu socorro e mencionou a segunda ocorrência no município: “A mãe ficou sabendo porque a menina conseguiu pegar um telefone de um conhecido deles e conseguiu ligar para uma amiga dela. E ele tomou o celular da menina da mão, só que a chamada continuou. E nisso a amiga ouviu as ameaças e contou para a mãe dela. Em Cariacica também teve um mandado de busca cumprido após uma mulher relatar que teria sido ameaçada pelo seu ex-companheiro. Em alguma discussão deles, ele colocou essa arma no colo e alegou para ela que caso ela levasse os filhos para outro estado, ele a mataria. O juiz decretou a busca e a arma, uma pistola calibre .380, foi entregue de forma voluntária aos policiais”.
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