Governo do Estado do Espírito Santo
27/02/2025 17h30

DPCA prende psicólogo suspeito de violentar sexualmente crianças autistas durante atendimentos em Cariacica

Foto: Aleander Gomes
adjunta da DPCA, delegada Gabriela Enne; titular da DPCA, delegada Thais Cruz; delegado-geral adjunto da PCES, José Lopes; adjunta da DPCA, delegada Gabriella Zaché e, o adjunto da DPCA, delegado Leonardo Vanaz.

A Polícia Civil do Espírito Santo (PCES), por meio da Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), com o apoio da Divisão de Inteligência da PCES e da Delegacia de Bom Jesus do Galho, em Minas Gerais, prendeu, na última quinta-feira (20), um homem de 49 anos, em cumprimento de mandado de prisão preventiva pela prática de estupro de vulneravel contra crianças autistas.

O investigado, que é psicólogo, é suspeito de abusar sexualmente de crianças autistas durante sessões de atendimento em uma clínica localizada em Cariacica. Embora os atendimentos fossem filmados, ele utilizava um papel para cobrir a câmera e ocultar os abusos. As informações foram divulgadas em coletiva de imprensa nesta quinta-feira (27), na Chefatura da Polícia Civil, em Vitória.

A investigação teve início no dia 04 de fevereiro, quando a mãe de uma menina de 8 anos, autista de grau 1, registrou um boletim de ocorrência na DPCA. "A criança relatou que o psicólogo, que atendia em uma clínica, em Cariacica, havia abusado sexualmente dela durante o atendimento. Ela só revelou o ocorrido após a demissão do suspeito da clínica, ocorrida em 28 de janeiro", informou a adjunta da Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente, delegada Gabriella Zaché.
 
De acordo com a delegada, a clínica justificou a demissão alegando reclamações de pais sobre a falta de paciência do profissional ao atender meninos, além de sua predileção por atender meninas e do descumprimento de protocolos internos. "Também foi constatado que ele trancava a porta da sala de atendimento, o que era proibido, e cobria a câmera durante as sessões", explicou a delegada Gabriella Zaché.

Diante da denúncia, a DPCA solicitou as imagens das filmagens e verificou que, em diversos atendimentos, o suspeito cobria a câmera com papel por alguns minutos. "A maioria das vítimas identificadas até o momento é menina, muitas delas não verbais, o que dificulta a investigação, mas nós continuamos analisando as imagens para identificar todas as vítimas", contou Gabriella Zaché.

Após a demissão do psicólogo, antes mesmo da clínica denunciar o caso à polícia, o investigado voltou ao local e levou uma criança de 8 anos, irmã de um dos pacientes, para tomar sorvete. "O fato gerou estranheza entre os funcionários, que alertaram a família da criança. A investigação também revelou que essa criança de 8 anos acompanhava os atendimentos do irmão de 2 anos, que é não verbal, mesmo sem ser paciente da clínica. As imagens registraram a proximidade do investigado com essa e outras crianças", relatou a delegada.

O homem negou os abusos em depoimento e alegou que cobria a câmera para descansar ou mexer no celular. "No entanto, as gravações mostraram que ele usava o celular normalmente em outros momentos, sem necessidade de obstruir a filmagem", disse a delegada Gabriella Zaché.

Ao perceber que poderia estar sendo investigado, ele deixou o Espírito Santo e se refugiou na cidade de Bom Jesus do Galho, em Minas Gerais, onde residia com a irmã. Com o apoio da Divisão de Inteligência da PCES e da Delegacia de Bom Jesus do Galho, da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), o psicólogo foi localizado e preso.

Possíveis novas vítimas

A Polícia Civil acredita que há outras vítimas, uma vez que o suspeito trabalhava na clínica desde 2023. "Os investigadores estão analisando as imagens e intimando os pais das crianças atendidas pelo psicólogo para verificarem possíveis mudanças de comportamento. Muitos responsáveis relataram regressão no tratamento dos filhos e comportamento sexualizado, o que pode ser um indício de abuso. A clínica também está sendo investigada para apurar possível negligência ou conivência com os atos do suspeito. Funcionários e proprietários já foram ouvidos", explicou Gabriella Zaché.

A delegada adjunta da DPCA reforçou a importância da participação ativa dos pais nos atendimentos psicológicos das crianças. "É essencial que os pais fiquem atentos ao comportamento dos filhos e exijam acesso às gravações, caso existam, para garantir a segurança das crianças", frisou.


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