A Polícia Civil do Espírito Santo (PCES), por meio da Divisão de Combate à Corrupção e ao Crime Organizado (Diccor) e da Delegacia Especializada de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), deflagrou, na última quinta-feira (26), a Operação Onerado. O objetivo foi desarticular uma complexa organização criminosa investigada por operar um esquema milionário de fraudes e lavagem de dinheiro utilizando cartões de benefícios. A ação resultou na prisão em flagrante de dois integrantes do grupo.
Durante a operação, os policiais cumpriram três mandados de busca e apreensão em endereços residenciais e comerciais nos bairros Feu Rosa e Carapebus, na Serra, e em Goiabeiras, em Vitória. No total, foram apreendidos 1.892 cartões de benefícios em nome de terceiros, quatro máquinas de cartão registradas em CNPJs de laranjas, quatro aparelhos celulares, farta documentação contábil, incluindo cheques e notas promissórias, e um veículo de luxo.
A ação policial resultou na prisão de um casal, ambos de 43 anos, apontado como articulador da organização. Detalhes adicionais sobre as investigações foram divulgados em coletiva de imprensa nessa terça-feira (03), na Chefatura de Polícia Civil, em Vitória.
O titular da Draco, delegado Tarik Halabi Souki, explicou que a fraude ocorria quando usuários entregavam cartões de benefício ao grupo criminoso, que simulava compras em nome de terceiros, inclusive em empresas de fora do Estado.
Pelo serviço ilegal, os criminosos retinham uma taxa que variava de 20% a 40% do saldo disponível. O restante do valor era devolvido ao beneficiário via transferência por Pix ou em dinheiro espécie.
“As investigações apontaram também que os suspeitos utilizavam cartões clonados, cujo saldo havia sido furtado de empresas e transferido para esses dispositivos. Dessa maneira, o beneficiário entregava o cartão para o grupo, que realizava a retenção de parte do valor e devolvia o restante”, relatou o delegado Tarik Halabi Souki.
De acordo com o adjunto da Divisão de Combate à Corrupção e ao Crime Organizado (Diccor), delegado Vinícius Landeira, um dos casos centrais envolvia uma mulher de 38 anos, funcionária de uma das empresas lesadas. Ela trabalhava no setor financeiro dessa empresa e subtraía valores, transferindo-os para cartões que eram posteriormente repassados aos criminosos.
“Aprofundamos as investigações e chegamos a esse núcleo operacional. Ficou comprovado que vários suspeitos estavam envolvidos no esquema, fazendo com que grandes empresas fossem as principais vítimas ", detalhou o delegado adjunto.
A organização mantinha, inclusive, uma loja física no bairro Goiabeiras, em Vitória, onde realizava o atendimento presencial e a entrega dos cartões.
“No caso da funcionária, ela se aproveitava do acesso ao sistema para depositar quantias altas em seu próprio cartão de alimentação e, em seguida, procurava a organização para converter o saldo em dinheiro vivo”, disse Landeira.
As investigações indicam que a mulher exerceu a prática criminosa durante 16 meses, gerando um prejuízo de aproximadamente R$ 200 mil à empresa onde trabalhava.
“Segundo um dos detidos no dia da busca e apreensão, havia um saldo de aproximadamente R$ 300 mil nos cartões apreendidos”, destacou Vinícius Landeira.
O casal foi autuado em flagrante por receptação qualificada, lavagem de dinheiro e crime contra economia popular. A prisão em flagrante foi convertida em preventiva pelo Poder Judiciário. Os dois permanecem custodiados no sistema prisional.
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