A Polícia Civil do Espírito Santo (PCES), por meio da Delegacia de Infrações Penais e Outras (Dipo) de Colatina, concluiu, na última sexta-feira (15), o inquérito policial que apurou o corte criminoso de cabos de internet em bairros do município de Colatina. As investigações apontaram que a ação foi ordenada por uma organização criminosa liderada por um traficante, com o objetivo de forçar a população a contratar um serviço clandestino de internet controlado pelo grupo.
Os investigados atuavam de forma estruturada, com divisão de tarefas, intimidação armada e imposição de domínio territorial, características associadas à atuação de facções criminosas e milícias privadas. Os detalhes sobre a investigação e a atuação dos envolvidos foram divulgados em coletiva de imprensa realizada nesta terça-feira (19), na Chefatura da Polícia Civil, em Vitória.
O delegado-geral da Polícia Civil do Espírito Santo (PCES), Jordano Bruno, destacou que a atuação integrada das forças de segurança teve início após informações sobre a tentativa de expansão de organizações criminosas para atividades além do tráfico de drogas. “No início do ano, recebemos informações de que uma facção criminosa buscava ampliar sua atuação para a exploração clandestina do serviço de internet. Diante disso, as Polícias Civil e Militar atuaram de forma firme e imediata para impedir esse tipo de prática no Espírito Santo”, afirmou.
Segundo o delegado-geral, a resposta das forças de segurança visa impedir qualquer tentativa de domínio territorial por organizações criminosas. “Ainda que, em um primeiro momento, a conduta possa aparentar menor gravidade, esse tipo de prática pode evoluir para tentativas de controle territorial e imposição criminosa de serviços. Isso não será admitido no Estado do Espírito Santo. Qualquer indicativo de atuação criminosa voltada ao controle de serviços ou territórios será combatido de forma rigorosa pelas forças de segurança”, ressaltou Jordano Bruno.
O delegado-geral informou ainda que os envolvidos já foram identificados e responsabilizados criminalmente. “Todos os investigados foram identificados e estão sendo indiciados pelos crimes apurados. Parte deles já foi presa e outros seguem sendo procurados pela Polícia Civil. As equipes permanecem em diligências para localizar todos os envolvidos e retirá-los de circulação”, disse.
Jordano Bruno também reforçou a importância da participação da população por meio de denúncias anônimas. “A colaboração da população é fundamental. Informações relacionadas à exploração clandestina de serviços, atuação de organizações criminosas, comércio ilegal ou qualquer tentativa de imposição territorial devem ser repassadas por meio do Disque-Denúncia 181. Todas as denúncias serão tratadas com prioridade pelas forças de segurança pública”, detalhou.
O superintendente de Polícia Regional Noroeste (SPRNO), delegado Arthur Bogoni, explicou que a investigação identificou a atuação de um grupo criminoso ligado ao tráfico de drogas que tentou intimidar moradores para impor um serviço clandestino de internet.
“Em Colatina, nós identificamos uma facção criminosa chamada ‘Tropa do Urso’. O líder dessa facção e o segundo homem do grupo possuem mandados de prisão em aberto e já foram identificados. Eles atuam no tráfico de drogas e possuem envolvimento em homicídios”, explicou o delegado.
De acordo com Bogoni, o grupo iniciou ações de vandalismo no começo do ano para tentar forçar moradores a aderirem ao serviço clandestino. “Eles cortaram fios de internet e ameaçaram moradores, dizendo que deveriam utilizar a internet que eles forneceriam. As pessoas que participaram dessas ações foram identificadas, indiciadas e responderão pelos crimes praticados”, pontuou.
O delegado destacou que a tentativa de implantação do serviço clandestino foi frustrada pela rápida atuação das forças de segurança: “Essa internet jamais chegou a ser materializada. Eles primeiro destruíram a estrutura existente e tentaram intimidar a população. Depois pretendiam criar uma estrutura própria de fornecimento, mas não conseguiram. Foi uma tentativa frustrada de construir uma espécie de milícia para controlar serviços públicos em Colatina.”
As investigações apontaram a participação de dez adultos diretamente envolvidos nos atos criminosos. “No caso específico do vandalismo contra os fios de internet, dez adultos foram identificados e indiciados. Eles foram apresentados à Justiça, que decidirá se responderão presos ou em liberdade”, informou Bogoni.
Segundo o superintendente, um dos investigados, identificado como Hugo Henrique dos Santos, teria ordenado diretamente os ataques e ameaçado moradores. “Foi ele quem mandou destruir a estrutura da prestadora de serviço e também ameaçou um morador por telefone. Os envolvidos responderão pelos crimes de dano, interrupção de serviço público de telefonia e participação em organização criminosa. No caso do Hugo, também houve indiciamento pelo crime de ameaça”, detalhou.
Arthur Bogoni ressaltou ainda que operações policiais seguem sendo realizadas semanalmente contra integrantes da organização criminosa: “Semanalmente, a Polícia Civil e a Polícia Militar realizam operações contra o tráfico de drogas em Colatina. Essas ações têm causado prejuízos constantes à organização criminosa e resultado em prisões frequentes de pessoas ligadas ao grupo.”
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